Argentina — O Destino Internacional Mais Acessível Para Brasileiros

A Argentina é, historicamente, um dos destinos internacionais mais procurados por brasileiros. A proximidade geográfica, a ausência de necessidade de visto e passaporte (basta o RG para turismo), o câmbio favorável e a riqueza cultural fazem do país vizinho uma escolha estratégica para quem quer viajar para fora do Brasil gastando pouco.

Em 2026, a relação cambial continua favorecendo o brasileiro. Com a desvalorização do peso argentino nos últimos anos, o poder de compra do real em solo argentino é significativo, permitindo experiências gastronômicas, culturais e de enoturismo a preços muito inferiores aos praticados no Brasil.

Este roteiro cobre as duas cidades mais procuradas: Buenos Aires, a capital cosmopolita, e Mendoza, a capital do vinho argentino, ao pé da Cordilheira dos Andes.

Documentação e Requisitos de Entrada

Brasileiros não precisam de passaporte para entrar na Argentina como turistas. As exigências são:

  • RG (Registro Geral) em bom estado de conservação, com foto identificável e emitido há menos de 10 anos
  • Permanência máxima: 90 dias para turismo
  • Vacinas: não há exigências obrigatórias, mas a vacina de febre amarela é recomendada
  • Seguro viagem: não é obrigatório, mas altamente recomendado — veja nosso guia completo sobre seguro viagem

Atenção: CNH e certidão de nascimento não são aceitas como documento de viagem. Apenas o RG válido ou o passaporte.

Câmbio e Dinheiro — Como Pagar na Argentina

A questão cambial é fundamental para aproveitar a Argentina ao máximo. Em 2026, após a unificação cambial promovida pelo governo argentino, o cenário se estabilizou em relação aos anos anteriores, mas ainda vale conhecer as opções:

Forma de pagamentoVantagemDesvantagem
Real em espécie (trocar por pesos)Melhor cotação em casas de câmbioRisco de carregar dinheiro
Cartão de débito internacional (Wise, C6)Praticidade, câmbio competitivoNem todos os lugares aceitam
Cartão de crédito convencionalPraticidadeIOF de 4,38%, spread alto
Dólar em espécieAceito em muitos lugaresCotação menos vantajosa que o real direto

Dica: leve uma combinação de real em espécie (para trocar em casas de câmbio na Calle Florida em Buenos Aires) e um cartão de débito internacional como backup. Evite trocar dinheiro no aeroporto, onde as cotações são significativamente piores.

Palpitano — Palpites em Tempo Real

Orçamento Estimado — 8 Dias na Argentina

ItemCusto Estimado (R$)Observação
Passagem aérea (ida e volta)1.200–2.500São Paulo ou Rio para Buenos Aires
Voo interno BA–Mendoza (ida e volta)400–800Flybondi ou JetSmart
Hospedagem (8 noites)1.200–2.800Hostel a hotel 3 estrelas
Alimentação (8 dias)800–1.600Restaurantes e mercados
Atrações e passeios500–1.200Vinícolas, shows, museus
Transporte local200–400Metrô, ônibus, táxi
Total estimado4.300–9.300Dependendo do estilo

Roteiro — Dias 1 a 4: Buenos Aires

Dia 1 — San Telmo e La Boca

Comece pelo bairro mais boêmio da capital. San Telmo é famoso pelo mercado de antiguidades (Feria de San Telmo, aos domingos), pelas milongas (casas de tango) e pelos cafés históricos. Caminhe até La Boca para ver o Caminito, o estádio La Bombonera e a arte urbana que cobre as fachadas.

  • Almoço: parrilla em San Telmo — um bife de chorizo com guarnições custa entre ARS 8.000 e ARS 15.000 (R$ 20–40)
  • Tarde: Museu de Arte Moderna de Buenos Aires (MAMBA) — entrada gratuita às quartas

Dia 2 — Recoleta e Palermo

Recoleta é o bairro mais elegante de Buenos Aires. Visite o Cemitério da Recoleta (gratuito) onde está o túmulo de Eva Perón, o Museu Nacional de Belas Artes (gratuito) e a Floralis Genérica.

À tarde, siga para Palermo, dividido em Palermo Soho (lojas de design, cafés artesanais) e Palermo Hollywood (gastronomia e vida noturna). Os Bosques de Palermo são ideais para uma caminhada ao entardecer.

  • Jantar: restaurante em Palermo Soho — pratos a partir de ARS 10.000 (R$ 25)

Dia 3 — Centro Histórico e Puerto Madero

Pela manhã, visite a Plaza de Mayo, a Casa Rosada (tour guiado gratuito, agendar online), a Catedral Metropolitana e a Avenida de Mayo até o Congresso Nacional.

Almoce em uma pizzaria portenha tradicional — a pizza argentina é um estilo próprio, com massa grossa e muito queijo. Güerrin, na Avenida Corrientes, é um clássico (fatia por ARS 3.000).

À tarde, passeie pela Puerto Madero, a zona revitalizada à beira do Rio de la Plata, com a Puente de la Mujer e a Reserva Ecológica.

Dia 4 — Dia Livre + Show de Tango

Use a manhã para explorar o que ficou de fora ou para compras (a Calle Florida é a principal via comercial). À noite, assista a um show de tango com jantar. Opções variam de ARS 30.000 a ARS 80.000 (R$ 75–200) dependendo da casa. O Café de los Angelitos e o Tango Portenho são opções com boa relação custo-benefício.

Roteiro — Dias 5 a 8: Mendoza

Transporte Buenos Aires–Mendoza

  • Avião: voos diretos com Flybondi ou JetSmart a partir de ARS 30.000 (R$ 75) por trecho. Duração de 1h50
  • Ônibus: empresas como Andesmar e Chevallier fazem o trajeto em 14 horas, a partir de ARS 25.000 (R$ 60) em leito-cama

Dia 5 — Chegada e Centro de Mendoza

Mendoza é uma cidade arborizada e tranquila, com ruas largas e praças arborizadas. Passeie pela Plaza Independencia, o Parque General San Martín e o Cerro de la Gloria, com vista panorâmica da cidade e da cordilheira.

  • Jantar: restaurante na Avenida Arístides Villanueva — a "rua gastronômica" de Mendoza

Dia 6 — Tour de Vinícolas (Maipú ou Valle de Uco)

Este é o dia mais esperado. Mendoza tem mais de 1.200 vinícolas, sendo a maior região produtora de Malbec do mundo.

Opção econômica — Maipú (por conta própria):

  • Alugue bicicleta (ARS 5.000/dia, R$ 12) e pedale entre vinícolas como Trapiche, López e Familia Cecchin
  • Degustações custam entre ARS 3.000 e ARS 8.000 (R$ 7–20) por vinícola

Opção premium — Valle de Uco (tour guiado):

  • Tour com transporte inclui vinícolas como Salentein, Zuccardi e Andeluna
  • Custo: ARS 40.000–60.000 (R$ 100–150) com almoço

Dia 7 — Alta Montanha e Cordilheira dos Andes

O passeio de Alta Montanha é imperdível. O tour segue pela Ruta 7 até a fronteira com o Chile, passando por:

  • Puente del Inca: formação rochosa natural com águas termais
  • Aconcágua: mirante do pico mais alto das Américas (6.962 m)
  • Las Cuevas: última cidade argentina antes do Túnel Cristo Redentor

Tour de dia inteiro custa entre ARS 25.000 e ARS 40.000 (R$ 60–100) por pessoa.

Dia 8 — Retorno

Manhã livre para últimas compras de vinhos (preços em vinícolas são 30–50% menores que no Brasil) e retorno a Buenos Aires ou direto ao Brasil.

Se voce está no início do planejamento, nosso guia passo a passo cobre desde a escolha do destino até a mala.

Dicas Práticas Para Brasileiros na Argentina

  • Idioma: o espanhol argentino tem sotaque e vocabulário próprios (vos em vez de tú, lunfardo). Brasileiros geralmente se comunicam bem com portunhol
  • Tomadas: a Argentina usa tomada tipo I (três pinos em ângulo). Leve adaptador ou compre na chegada por ARS 2.000
  • Gorjeta: 10% em restaurantes é o padrão, não obrigatório mas esperado
  • Segurança: Buenos Aires é segura em zonas turísticas, mas evite ostentar objetos de valor. La Boca fora do Caminito não é recomendada à noite
  • Mate: o chimarrão argentino é uma instituição cultural. Aceitar mate oferecido por um argentino é sinal de respeito
  • Horários: argentinos jantam tarde — restaurantes enchem a partir das 21h

Gastronomia — O Que Comer

A culinária argentina é um capítulo à parte. Não deixe de experimentar:

  • Asado (churrasco argentino): cortes como bife de chorizo, entraña e morcilla
  • Empanadas: recheios variam por região — carne, queijo, verdura
  • Provoleta: queijo provolone grelhado com orégano, servido como entrada
  • Dulce de leche: presente em alfajores, sorvetes e sobremesas
  • Malbec: a cepa emblemática de Mendoza — prove direto das vinícolas
  • Pizza portenha: massa grossa, muito queijo — estilo diferente do italiano

Perguntas Frequentes

Preciso de passaporte para ir à Argentina?

Não. Brasileiros podem entrar na Argentina com o RG (cédula de identidade) em bom estado, com foto recente e emitido há menos de 10 anos. O passaporte também é aceito, mas não é obrigatório. CNH e certidão de nascimento não são válidos como documento de viagem.

Qual a melhor época para visitar Buenos Aires e Mendoza?

Buenos Aires é agradável o ano todo, com destaque para março a maio (outono, temperaturas amenas) e setembro a novembro (primavera). Mendoza é melhor entre março e maio (época da colheita de uvas, a vendimia) e entre setembro e novembro. O inverno (junho a agosto) é frio e seco, mas ideal para quem quer ver neve na cordilheira.

É seguro viajar pela Argentina como brasileiro?

Sim, a Argentina é um destino seguro para turistas. Buenos Aires tem os cuidados típicos de qualquer grande metrópole — evite áreas periféricas à noite e não exiba objetos de valor. Mendoza é muito tranquila. O maior risco para brasileiros costuma ser a desatenção em zonas turísticas lotadas, como La Boca e San Telmo.

Quanto dinheiro em espécie devo levar?

Para 8 dias, entre R$ 1.500 e R$ 3.000 em espécie (reais ou dólares) cobrem gastos com alimentação, transporte e passeios com folga. Leve também um cartão de débito internacional como backup para emergências ou compras maiores.